Documentos vazados nas últimas horas confirmam uma mudança significativa na política de imigração dos EUA. Diversas fontes em Washington concordam que o governo Trump está finalizando uma regra que complicaria a aprovação de residência, asilo, liberdade condicional e outros status essenciais para milhares de imigrantes.
E embora a proposta esclareça que não se aplicaria diretamente aos pedidos de cidadania, o efeito cascata seria evidente. Ou seja, se as aprovações de residência permanente forem reduzidas, o número de pessoas que poderão obter a cidadania americana também diminuirá.
La proposta Ainda não foi apresentado oficialmente. No entanto, já está gerando alarme entre organizações de migrantes e comunidades inteiras em países incluídos na proibição de viagens decretada por Trump meses atrás.
Um novo critério que pesaria contra certos migrantes.
El New York Times Foi revelado que o Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA planeja usar "fatores negativos significativos" ao avaliar pedidos de pessoas de países sujeitos à proibição de viagens. A lista inclui Afeganistão, Somália, Sudão, Iêmen, Irã, Haiti, Líbia, Eritreia, Chade, República do Congo, Guiné Equatorial e Mianmar, além de restrições parciais para Cuba, Venezuela, Laos, Serra Leoa, Burundi, Togo e Turcomenistão.
Essa mudança se aplicaria a todos os pedidos que exigem análise discricionária. Nesses casos, o agente deve ponderar os fatores positivos e negativos antes de tomar uma decisão final. Além disso, a nova abordagem incorporaria o país de origem como um fator que, por si só, poderia influenciar a decisão de indeferimento.
A regra não afetaria diretamente aqueles que solicitam a cidadania. No entanto, ao dificultar a obtenção de residência permanente e asilo, "ela claramente também limitaria o acesso à cidadania americana para imigrantes", segundo especialistas consultados por diversos veículos de comunicação dos EUA.
Preçocupinteração entre especialistas e ex-funcionários do USCIS
Ex-funcionários da agência acreditam que a mudança rompe com a prática estabelecida. Eles apontam que, embora alguns documentos sempre tenham sido difíceis de verificar, isso nunca foi motivo formal para rejeição. Temem que a medida funcione como uma proibição velada contra cidadãos de certos países, mesmo que residam legalmente no país há anos e já tenham passado por verificações de segurança.
Doug Rand, ex-funcionário de alto escalão do USCIS, classificou a proposta como uma “mudança radical”, pois se baseia no país de nascimento em vez de uma análise individual de cada caso. Outros analistas preveem processos por discriminação, especialmente porque a regra afetaria pessoas que já estão nos Estados Unidos, uma questão jurídica distinta das proibições de entrada no país.
Efeitos imediatos: menos aprovações e mais incerteza.
O governo Trump também está reduzindo o número de refugiados admitidos, aumentando a verificação nas redes sociais e ampliando os controles sobre atividades consideradas “anti-americanas”. Em conjunto, essas ações restringem ainda mais as vias de acesso à proteção humanitária.
Rascunhos obtidos pela imprensa indicam que os “fatores negativos” também se aplicariam a pedidos de asilo e liberdade condicional. Isso complicaria processos que, até então, dependiam de avaliações caso a caso. Advogados de imigração preveem um aumento acentuado nas negativas e um impacto direto sobre comunidades já vulneráveis.
Por ora, o plano permanece em análise. No entanto, se aprovado em sua forma atual, representaria uma das medidas de imigração mais restritivas dos últimos anos, com repercussões que vão desde aqueles que buscam residência até aqueles que um dia aspiraram à cidadania americana.
