Os pagamentos de US$ 2.000 anunciados por Trump podem chegar em algumas semanas.

O presidente Donald Trump voltou a colocar em discussão uma de suas promessas mais controversas: distribuir cheques de US$ 2.000 para milhões de americanos, financiados — segundo ele — com a receita gerada pelas tarifas de importação que seu governo impôs.

Em uma mensagem publicada no Truth Social, Trump afirmou que “um dividendo de pelo menos US$ 2.000 por pessoa será pago a todos, exceto aos de alta renda”. Mas a proposta, que gerou entusiasmo e ceticismo em igual medida, levanta mais perguntas do que respostas.

Em que consiste a proposta?

Trump propõe usar a receita das tarifas alfandegárias arrecadada pelo governo para fornecer pagamentos diretos a cidadãos de baixa e média renda. Ele descreve isso como uma espécie de "dividendo nacional", semelhante aos cheques de estímulo distribuídos durante a pandemia, mas desta vez financiado com dinheiro do comércio internacional.

O presidente argumenta que as tarifas sobre produtos estrangeiros encheram os cofres do país e que esse dinheiro deve ser devolvido ao povo. "Estamos arrecadando tanto dinheiro que poderíamos muito bem devolvê-lo ao povo americano", afirmou.

De onde viria o dinheiro?

O Departamento do Tesouro dos EUA informou que o governo atual arrecadou aproximadamente US$ 220.000 bilhões em tarifas, incluindo aquelas impostas antes do segundo mandato de Trump. No entanto, se US$ 2.000 fossem distribuídos a cada cidadão elegível, o custo total ultrapassaria US$ 300.000 bilhões.

Especialistas como Erica York, da Tax Foundation, afirmam que os números "não batem". Mesmo excluindo os contribuintes com renda acima de US$ 100.000, os gastos ainda excederiam a receita.

Leia também:
Trump ordena cortes de impostos e controles mais rígidos sobre remessas: veja como as regras para imigrantes nos Estados Unidos estão mudando.

Além disso, uma parte das tarifas — cerca de 100.000 bilhões de dólares — está sob análise do Supremo Tribunal, que avalia se elas foram impostas legalmente sob poderes de emergência. Se o tribunal decidir contra o governo, esse dinheiro poderá ter que ser reembolsado às empresas importadoras.

Quem receberia os cheques?

Trump não especificou os critérios de elegibilidade. Ele apenas indicou que os pagamentos seriam destinados a "americanos de baixa e média renda". Isso excluiria os contribuintes mais ricos, embora o limite de renda que definiria essa exclusão não tenha sido especificado.

Se limites semelhantes aos aplicados aos cheques de estímulo de 2020 e 2021 fossem implementados, o número de beneficiários poderia chegar a cerca de 150 milhões de adultos.

É possível fazer isso sem a aprovação do Congresso?

Não. Os analistas concordam que Trump precisaria da aprovação do Congresso para distribuir quaisquer pagamentos de grande porte. Ao contrário dos fundos emergenciais usados ​​durante a pandemia, as receitas tarifárias estão sujeitas ao controle orçamentário legislativo.

John Ricco, economista da Universidade de Yale, explica que "não há base legal para o presidente distribuir dividendos diretamente sem uma lei aprovada".

Quando os cheques poderiam chegar?

Se o Congresso aprovar a medida, os pagamentos poderão chegar em algumas semanas, seguindo um processo semelhante ao dos pagamentos de estímulo anteriores. Quem optar pelo depósito direto receberá o pagamento primeiro, enquanto os cheques em papel poderão levar até cinco meses.

Por ora, a proposta permanece uma declaração política em busca de apoio público e pressão legislativa. Mesmo dentro do próprio governo, o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, admitiu que não discutiu nenhum plano formal com o presidente e sugeriu que a iniciativa poderia ser transformada em benefícios fiscais, em vez de pagamentos diretos.

Leia também:
Cuidado se você receber ajuda nos Estados Unidos: Trump disse que deportará “qualquer estrangeiro que seja um encargo público”.

Um plano que divide opiniões.

Enquanto alguns republicanos celebram a ideia como uma “recompensa para o povo”, outros temem que uma injeção de dinheiro sem respaldo econômico aumente a inflação. Economistas alertam que, em um momento em que os preços permanecem altos, esse tipo de estímulo poderia elevar ainda mais o custo de vida.

Ainda assim, Trump insiste que sua medida busca "ajudar as famílias trabalhadoras" e promete que qualquer excedente na receita das tarifas será usado para reduzir a dívida nacional, que gira em torno de US$ 40 trilhões.

Deixe um comentário