Em Cuba, a expansão de lojas e Posto de gasolina CUPET que só aceitam pagamentos em dólares americanos (USD) está avançando em ritmo acelerado, embora a maioria dos cubanos continue recebendo seus salários em pesos cubanos (CUP). De acordo com o monitoramento recente de o TOQUE, o número de estabelecimentos dolarizados aumentou de 85 em maio 2025 para 209 em outubro, representando um aumento de 146%. Além disso, há mais de 60 postos que vendem combustível exclusivamente em dólar.
O processo de dolarização da economia cubana, iniciado oficialmente em 2020 com a abertura de lojas em moeda livremente conversível (MLC), agora atingiu um novo estágio.
As promessas do governo de manter o equilíbrio entre o comércio em pesos e em moeda estrangeira não foram cumpridas. Em janeiro 2025Representantes das redes Caribe e Cimex afirmaram que as lojas em dólar não ultrapassariam 7% do total; no entanto, o número atual é o dobro desse percentual.
Esse fenômeno reflete a crescente desigualdade no acesso a bens essenciais. Aqueles que dependem exclusivamente da renda em pesos cubanos enfrentam sérias dificuldades para comprar alimentos, produtos de higiene ou combustível.
O dólar ultrapassa 400 CUP No mercado informal, chega a quase 500 pesos, tornando praticamente impossível a aquisição de moeda estrangeira para quem não recebe remessas do exterior.
O Observatório de Moeda e Finanças (OMFi) alerta que a expansão dos mercados dolarizados está alimentando a desvalorização do peso cubano, já que a população tem menos opções de compra na moeda nacional.
Isso reduz a demanda por pesos e reforça a dependência do dólar, um ciclo que corrói ainda mais o poder de compra.
Em muitos casos, as lojas convertidas são grandes estabelecimentos em Havana e capitais provinciais.
Os pagamentos são aceitos apenas em dinheiro em dólares americanos ou por meio de cartões de crédito nacionais e internacionais do Banco de Crédito y Comercio (Bandec). Para os consumidores, a reestruturação repentina de empresas — muitas vezes sem aviso prévio — é um lembrete tangível da perda de valor do peso e do avanço constante da dolarização na ilha.
